Thursday, February 25, 2010

A Busca interior por @mclaudiacm

São cada vez mais os que partem dos centros urbanos para o Interior. Procuram, não o ideal romântico de outros tempos, mas oportunidades de trabalho e de vida que as cidades lhes vão negando. Veja a reportagem multimédia

Ana Berliner foi das que trocaram Lisboa pelo Vale do Côa, terra que lhe vai servindo para cumprir o gosto pela conservação da natureza. Bióloga, é presidente da Associação Transumância e Natureza (ATN), actividade a que se vai dedicando como "hobby". A subsistência da família é assegurada pela exploração de uma casa de turismo rural.

É à frente dos destinos da ATN que Ana Berliner sente a solidão imposta por uma paixão que ainda não é valorizada pela sociedade em geral. "Temos falta de meios físicos e humanos", contou ao JN. "Enquanto há projectos, as coisas vão correndo bem... Mas os nossos meios são muito escassos". A carência é combatida pelos apoios que recebem de organizações internacionais. "Em Portugal, não recolhemos muitos apoios e não existe mecenato em projectos de conservação da natureza", lamenta a bióloga.

Os atrasos nos pagamentos do Ministério da Agricultura e o excesso de burocracia para passar à prática algumas das iniciativas, como o sempre adiado campo de alimento de aves necrófagas, desgastam e moem, exemplifica Ana Berliner. Mas não matam o gosto de quem deitou mãos e alma à dinamização de associações de desenvolvimento rural. O JN falou com vários jovens, actualmente à frente de projectos no Douro Internacional (ver página 3 e 4). A falta de apoios e o excesso de burocracia são queixas unanimente partilhadas.

Rui Rafael, do Gabinete de Planeamento e Políticas (GPP) do Ministério da Agricultura, desmonta, no entanto, a ideia da insuficiência de apoios. No âmbito da aplicação dos fundos comunitários, a sociedade civil tem ao dispor uma dotação de 453 milhões de euros para aplicação em projectos que vão da diversificação da economia e criação de emprego, à melhoria qualidade de vida, implementação de estratégias de desenvolvimento local e para o funcionamento dos Grupo de Acção Local (GAL), explicou.

Até à data, adiantou, ainda, o técnico do GPP, foram criados 44 GAL, que cobrem 80% do território nacional. Estes gabinetes têm como tarefa a gestão da aplicação das verbas numa determinada área. "Sabemos por experiência que quem faz melhor o que é melhor para si é a comunidade local", explicou Rui Rafael, justificando, assim, a criação de unidades locais para a gestão dos fundos.

As associações podem submeter aos GAL os projectos que pretendem aplicar no terreno, sendo que têm que ter como filosofia subjacente a criação de investimento, emprego e competitividade, o que por si só não garante a resolução do problema da fixação de recursos humanos, sublinhou Rui Rafael.

Renato Carmo, investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), apesar de reconhecer a forte dependência das associações de desenvolvimento rural dos fundos comunitários, salienta a ausência de políticas públicas direccionadas para este tipo de dinâmicas. "Quando acabam os apoios não têm capacidade de continuidade", sublinhou o sociólogo, defendendo a criação políticas capazes de atrair pessoas ao Interior.

Gente que parte das cidades à procura de uma vida melhor, mas que partilha a intenção de preservar, valorizar e revitalizar o património rural das terras que a acolhe. Américo Tomé, vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, embora reconheça a importância de receber forasteiros, mostra-se ciente das dificuldades. "Por cá, temos muito espaço para poucas pessoas", lamenta, consciente de que as oportunidades só vingam onde há gente.

in JN, Cláudia Monteiro

Sunday, February 21, 2010

Ministro quer digitalizar todos os documentos

«Não deveria haver neste momento nenhum livro impresso em Portugal, nenhum manuscrito numa biblioteca, nenhum som em arquivo sonoro, nenhum filme ou nenhum arquivo fotográfico que não tivesse sido digitalizado». Quem o diz é o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, citado pela Lusa.

À margem da apresentação dos resultados do projecto Leiria Região Digital, que decorreu no Castelo de Ourém, Mariano Gago defendeu a criação de um movimento voluntário para o efeito.

«Neste momento, com as tecnologias de informação e comunicação e com o estado do Mundo, a nossa obrigação é digitalizar tudo», afirmou, acrescentando que a digitalização de toda a documentação «é uma das grandes ambições para o futuro».

Desafio às forças locais

Mariano Gago reconheceu que o processo «não pode ser feito de uma maneira burocrática». O ideal seria «através do lançamento de um grande movimento de voluntariado nacional apoiado por um esforço profissional de indexação, de verificação da qualidade».

O desafio foi lançado: «Creio que as forças locais que se criaram com as Cidades e Regiões Digitais podem ser a base para o lançamento desse movimento, que me parece urgente para o futuro da língua portuguesa e do país».

Os objectivos da digitalização foram abordados pelo ministro: «Primeiro, para ficarem protegidos, para se multiplicar o seu uso, mas também para se multiplicar a sua divulgação e o seu estudo».

in IOL